sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Vale a leitura! Barbara Gancia sobre caso Battisti...

Arrivederci, Cesare Battisti!

Por Barbara Gancia - Folha de SP 20/11/2009


"NÃO ME TRAGA problemas, só me traga soluções." Durante anos, convivi com um diretor de Redação que mantinha uma plaquinha com essa frase sobre sua mesa de trabalho.
Era do tipo explosivo, e vira e mexe um urro vindo de sua direção desviava a minha atenção da tela do computador para uma cena bastante comum, a imagem do diretor brandindo a placa feito um punhal de sacrifício sobre a cabeça de algum repórter mais incauto.
Imagino que o presidente Lula seja o tipo de chefe que teria de bom grado essa mesma plaquinha sobre a mesa em que despacha no Palácio do Planalto. Acho que já deu tempo de aprendermos que Lula não gosta de problemas, que foge da contrariedade e que prefere sempre deixar os pepinos de casca mais espessa para outros descascarem.
É fato que ele não ficou nem um pouco feliz com seu ministro da Justiça, quando o atual titular da pasta inventou um conflito absolutamente evitável com a Itália na questão da extradição do terrorista italiano Cesare Battisti.
Qualquer um que tenha um pouco de intimidade com o temperamento e o modus operandi do nosso presidente, sabe que o "imbroglio" deve tê-lo deixado fulo da vida.
É bem verdade que qualquer calouro do Instituto Rio Branco teria passado ao léu do desgaste diplomático. Pois, já pensou, meu dileto leitor, o que alguém com o jogo de cintura e a habilidade política de Lula não deve ter achado dessa confusão toda?
E, agora que a decisão terminou no colo do presidente, eu não gosto nem de pensar nas cobras e lagartos que devem estar bolindo a respeito do ministro da Justiça na intimidade do Palácio da Alvorada.
É natural que se pense que Lula esteja alinhado a Tarso Genro no caso Battisti. Além do maniqueísmo generalizado que opõe duas ideologias como num clássico do Maracanã, fazendo supor que o mundo se divida na vida real como na cabeça de Chico Alencar, Ivan Valente e Eduardo Suplicy, o ministro da Justiça, afinal de contas, é de Lula e foi o presidente quem o colocou lá.
Logo após o Supremo Tribunal Federal decidir por delegar a decisão final sobre a extradição de Battisti a ele, foi também o presidente quem acionou a AGU (Advocacia Geral da União) para dar a impressão de que estaria buscando uma saída jurídica que conseguisse manter o italiano em solo tapuia.
Mas, veja bem: se Lula optar pela permanência do italiano, ele agradará a Marilena Chauí, Antonio Candido, Maria Victoria Benevides e a mais dois ou três gatos pingados da facção mais retrógrada do seu próprio partido. Mas desagradará à opinião pública de seu país, à Europa inteira e, sobretudo, criará uma situação inédita de tensão e rancor entre o Brasil e a Itália.
Conhecendo nosso presidente "sombra e água fresca", o que você, meu nobre leitor, acha que ele fará?
Sou capaz de apostar um caminhão refrigerado de picolés de limão como Lula irá enrolar o máximo que puder para fazer crer que tentou manter o facínora por aqui e que, no fim das contas, Cesare Battisti acabará cantando o "Sole Mio" lá na terra dele. Que assim seja!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Poesia mais linda da semana...

Dreamer - Tom Jobim

Por que meus olhos estão sempre cheios da sua imagem?
Por que eu sonho sonhos bobos que eu temo que nunca se realizem?
Eu anseio em te mostrar as estrelas
Que peguei na escuridão do mar
Eu anseio em falar do meu amor, mas você não vem para mim...
Então, eu continuo perguntando se talvez algum dia você irá se importar
Eu falo sobre meus pequenos sonhos tristes no ar suave da noite
Eu estou realmente sem esperanças, ao que parece
Duas coisas eu sei como fazer:
Uma é sonhar; duas é te amar
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(Original em Inglês)

Why are my eyes always full of this vision of you
Why do I dream silly dreams that I fear won't come true
I long to show you the stars
Caught in the dark of the sea
I long to speak of my love but you don't come to me...
So I go on asking if maybe one day you'll care
I tell my sad little dreams to the soft evening air
I am quite hopeless it seems, two things I know how to do:
One is to dream; two is loving you

domingo, 15 de novembro de 2009

Tudo que mtos queriam falar...

O jogo do João bobo

por Dora Kramer


É intrigante a insistente solicitude com que governistas se dispõem a aconselhar o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, a persistir na luta para obter a legenda do PSDB na disputa pela Presidência da República em 2010.

Tecem loas à capacidade de Aécio para agregar aliados, insinuam que se ele for o candidato da oposição o governo estará em maus lençóis porque a aliança em torno de Dilma Rousseff tenderia a explodir em função do êxodo de governistas em direção à candidatura do mineiro e alimentam abertamente a tese de que “Minas” tende a se insurgir contra uma posição subalterna, pois a sucessão presidencial “passa” necessariamente por lá.

Começando pelo fim: se Minas não aceita uma posição subalterna e tem - como, de fato, tem - a importância estratégica devida ao segundo maior colégio eleitoral do País, por que a direção nacional do PT não começa por organizar sua própria seara, hoje às turras no Estado, ao invés de incentivá-la a se tornar uma sublegenda do PMDB?

É que a preocupação primordial do governo é afastar o máximo de obstáculos possíveis do caminho de Dilma Rousseff, haja vista a determinação do presidente Luiz Inácio da Silva em tirar o deputado Ciro Gomes do páreo e acomodá-lo na disputa pelo governo de São Paulo.

Nessa linha, a paúra maior é com a possibilidade de o PSDB juntar os governadores de São Paulo e Minas Gerais numa mesma chapa. Se a dupla seria imbatível ou não, só o eleitor para confirmar. Mas é fato que nas hostes governistas o temor é grande porque a avaliação em tese é a de que seria praticamente impossível derrotar José Serra e Aécio Neves juntos.

O ideal, qualquer governista confirma, teria sido conseguir que Aécio saísse do PSDB e concorresse por outro partido, de preferência o PMDB, para tirar dos tucanos os votos de Minas.

Essa possibilidade morreu com o fim do prazo para filiação partidária dos candidatos e a permanência de Aécio Neves no PSDB A meta do adversário passou a ser, então, a tentativa de alimentar a cizânia interna na esperança de que se repita o cenário de 2002, quando boa parte do PSDB fazia cara de paisagem enquanto José Serra disputava a Presidência com Lula.

É do jogo, não fere nenhuma regra, mas o caminho escolhido agride a lógica dos fatos e não faz jus à inteligência dos envolvidos. De ambos os lados.

Os petistas dizem por toda parte que Aécio é o candidato mais difícil de ser derrotado, que eles prefeririam mil vezes concorrer com José Serra e que se o mineiro for escolhido está tudo perdido. Cobrem o governador de Minas de elogios, fazendo dele um juízo que não condiz com quem aprendeu na família que a política é a arte de ser matreiro.

Se Aécio é mesmo, na visão do PT, o adversário mais perigoso, o natural seria combatê-lo, minar suas chances, desqualificá-lo no lugar de elevá-lo à condição de divindade. Nem Aécio acredita nem o PT se faz verossímil. Inclusive porque já usou o truque em 2006, quando ministros “confidenciavam” a jornalistas que o PSDB faria bom negócio em escolher o então governador de São Paulo, pois Geraldo Alckmin seria um páreo duríssimo para Lula.

Agora a coisa se repete. Dá para entender alguém que elege para si a melhor opção para o adversário? Só sendo mentira. E das bem bobas.

*Dora Kramer é colunista política diária dos jornais O Estado de S. Paulo e O Dia do Rio de Janeiro

domingo, 8 de novembro de 2009

Idealista

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

(Fernando Pessoa - 18-12-1934)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Oração mais linda da semana...

Quando o sonho torna realidade... Desde pequenina lia essa oração, para mim, e para meus amigos.

"Uma noite eu tive um sonho...
Sonhei que estava andando na praia com o Senhor e através do céu, passavam cenas da minha vida.
Para cada cena que passava, percebi que eram deixados dois pares de pegadas na areia: um era meu e o outro era do Senhor.
Quando a última cena passou diante de nós, olhei para trás, para as pegadas na areia e notei que muitas vezes, no caminho da minha vida, havia apenas um par de pegadas na areia.
Notei também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu viver. Isso me aborreceu deveras e perguntei então ao Senhor:
- Senhor, Tu me disseste que, uma vez que resolvi te seguir, Tu andarias sempre comigo, em todo o caminho. Contudo, notei que durante as maiores atribulações do meu viver, havia apenas um par de pegadas na areia. Não compreendo porque nas horas em que eu mais necessitava de Ti, Tu me deixaste sozinho.
O Senhor me respondeu:
- Meu querido filho. Jamais eu te deixaria nas horas de provas e de sofrimento. Quando viste, na areia, apenas um par de pegadas, eram as minhas. Foi exatamente aí que eu te carreguei nos braços."

(Do livro "Pegadas na areia" - Margareth Fishback Powers)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Depois de 4 anos, essa imagem ainda vale!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Música mais linda da semana...

Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe
Sonho meu
Vai mostrar esta saudade
Sonho meu
Com a sua liberdade
Sonho meu
No meu céu a estrela guia se perdeu
A madrugada fria só me traz melancolia
Sonho meu
Sinto o canto da noite
Na boca do vento
Fazer a dança das flores
No meu pensamento
Traz a pureza de um samba
Sentido, marcado de mágoas de amor
Um samba que mexe o corpo da gente
E o vento vadio embalando a flor

(Sonho Meu - Maria Bethânia)


Ouça aqui!